Eu, professora
Uma aluna me procurou para contar que, depois que começou as aulas de pintura, conseguiu engravidar; a outra, começou a vislumbrar uma possibilidade de mudança de carreira, que há algum tempo a incomoda; outra ainda me disse que as aulas de pintura devolveram-lhe a cor, em vários sentidos; teve uma também que disse que, finalmente, encontrou um hobby, algo que a tira da preocupação com a rotina. Eu poderia aqui trazer vários relatos semelhantes, histórias diferentes de superação, satisfação, surpresa e alegria e uma mesma essência: mulheres que se reconectam e se permitem viver com mais leveza através da arte.
Mas, antes de seguir com esse assunto, sinto que preciso me apresentar: Eu sou a Taise e eu acredito que a vida deve ser movida pelos nossos sonhos. Sou também artista plástica e professora de pintura (além de mãe, empreendedora, esposa, dona de casa… aquela lista de papeis que acumulamos na vida contemporânea, sabe?), mas, antes disso, eu vivi por 15 anos no mundo corporativo e encontrei na arte a paz de uma vida com mais sentido que há tantos anos procurava. Aos 30 anos, criei coragem para cursar a segunda faculdade e aos 34 colei grau em Artes Visuais – ao mesmo tempo em que estava prestes a realizar outro grande sonho, que era ser mãe. Segundo diploma na mão e um ateliê que já funcionava no contraturno, senti que deveria ser fiel à arte e aos impulsos da minha alma, quando abri mão de uma carreira sólida para desbravar o universo das cores e criatividade.
Como cursei Licenciatura, sentia que não poderia “somente” ser artista, nutria em mim a vontade de espalhar as coisas boas que sentia quando pintava. E foi no exato momento que concluí a primeira oficina de pintura que eu tive certeza que aquele seria um caminho lindo – e sem volta. Afinal, se eu consegui tornar meus dias mais leves enquanto me dedicava a uma profissão totalmente estressante e cheia de desafios, certamente a arte teria esse poder na vida de tantas outras pessoas. E foi assim que as oficinas e aulas de artes nasceram e seguem há mais de dois anos.
As propostas variam a cada turma, mas o objetivo segue sendo o mesmo: DESLIGAR PARA RECONECTAR.
Eu tenho, você tem e todas nós temos… lembrança de uma mãe, avó, tia ou vizinha que fazia muitos trabalhos manuais. Elas se encontravam para bordar, fazer crochê, tocar piano, dançar… e quando foi que nos perdemos disso? Ah sim! Quando começamos a querer correr contra o relógio para assumir tantos papeis que nos exigem uma grandiosa performance. Hoje, sentimos que “chegamos lá”, conquistamos muito, porém, uma parte da nossa alma está sentindo falta de algo que não podemos explicar. Algo que nos conecte com nossa essência criativa, aquela que nos tornava tão felizes quando crianças, aquela que nos enche de orgulho quando concluímos algo por nós mesmas e podemos dizer “fui eu que fiz”, aquela energia que parte da inspiração, da imaginação, da leveza… Qualidades tão singelas, mas tão sonhadas nos dias de hoje.
Em meio a tintas, pinceis e muitas cores, as participantes se desafiam a vencer “a tela em branco”, o medo do julgamento e a cobrança pelo resultado perfeito… eu sempre digo que a prática aqui no ateliê é uma viagem cujo principal objetivo é curtir o caminho e não somente esperar pelo destino final. E, assim, elas vão aproveitando cada pincelada, respirando, soltando e deixando fluir, exercitando o estado de presença (você ainda se lembra o que é isso?), pois a pintura exige que estejamos atentas, dispostas, disponíveis e desligadas do que não faz parte daquela criação.
As oficinas e aulas de arte são um convite a fazer esta pausa, a respirar, a ter tempo de qualidade com elas mesmas, a se conectar com a essência e se lembrar que a criatividade é uma ferramenta importante para uma vida com mais leveza e alegria. O olhar atento de quem pinta ou desenha começa a se tornar uma lente que ajuda a ver a vida com mais beleza e sensibilidade e os benefícios dessa forma de viver – tenho certeza – ultrapassam a sala de aula e proporcionam dias mais alegres e com sentido.
Para encerrar, trago aqui uma frase atribuída a Phylicia Rashad que diz:
“Antes de uma criança começar a falar, ela canta. Antes de escrever, ela desenha. No momento em que ela consegue ficar de pé, ela dança! A arte é fundamental para a expressão humana.”… convido-lhe a parar e pensar: Você tem se permitido se expressar? Quanto de você está guardado em gavetas e vontades silenciadas? Onde fui parar a arte em você? Experimente, tenho certeza que você vai se surpreender!